domingo, 17 de junho de 2012

Abrir,
Quando desejamos algo,
Abrimos…
Para uns e para nós, quando sós.
O que é tudo até abrir,
Nada… (?)
Abrir é o início…
O começo…
E, tudo o que o medo
Impede, impede
de abrir, de falar,
de poder e sentir.
O desejo de querer o que se quer.
O que me deixa a pensar…
Até onde está tudo aberto
Antes de,
Fechar? 

quinta-feira, 14 de junho de 2012

"LUÍS VAZ DE CAMÕES
É considerado o maior poeta Português, situando-se entre o Classicismo e o Maneirismo
De ti só nos deram indigestões
Mas a tua sensibilidade, revolta de cantor bandeirante
da pureza lusitana e do amor,
ficaram ocultas,
deturpadas sem o mínimo pudor
Sai da campa e dos monumentos,
junta-te a Bocage, Antero de Quental,
dá o braço ao Ary dos Santos e José Régio,
Traz também o Gomes Ferreira
todos os mortos lusitanos.
E JUNTOS DESMASCAREM
ESTE DEMOCRÁTICO PORTUGAL."
Por : António Leite de Magalhães
Engoliram navios e ilhas,
Supremos Oceanos.
Deixem-me navegar nas vossas águas
Em paz, sossegado, e esquecer as mágoas
Do passado.
Dos anos do sangue derramado…
Nas guerras que tanto amamos!

E aqui estou eu, neste mundo vazio nas horas.
Vago na rua e triste em casa…
Estas paredes brancas e frias,
Transparecem-te e descrevem-te.
Ao contrário dos de dias,
Mudas mas com cor.
Ouves-me como ninguém
Alguma vez ouvirá.
És escura para pensar,
a hora de reflectir e amar.
O teu silêncio escreve em mim
Aquilo que nunca pude escrever aqui,
O que não consigo transparecer,
O que me permite sonhar.
És noite para viver,
És noite para acordar. 

Vem tu ó bem e diz-me o que fiz de mal,
Diz-me o por onde ir, pois não quero
Saber viver sem a tua permissão.
Exclusão,
Repugnância,
Incerteza,
Tristeza!
Tira-me deste limbo cinzento…
Sou teu escravo para tudo, o teu animal!
Tens-me, moral… (?)

O que seria a morte se fosse sonhar constantemente?
Onde só houvesse sonhos e pesadelos
Não acordar, ficar retido pelas memórias antigas
Só existiria imagens distorcidas,
ter pesadelos e não poder acordar!
Não sei, nem quero saber, dou graças a estar vivo, por poder sonhar livremente!

Ia eu um dia a navegar por mares desconhecidos…

Um oceano infinito, denso e azul negro.

Barco sem velas, de mastros podres…

Candelabros enferrujados e baços.
Um lugar de homens perdidos e um leme 
Escondido, nos meus braços…
Comandante sou eu e mais ninguém, apenas eu,
Eu e eu.
Sou cego mas vejo em direcção a sul, a minha fuga
É guiada pelo vento, eu, sem alento e desesperado por nada.
Em direcção ao fim do mundo, vou, e quando lá chegar,
Pedirei para continuar a comandar o “egoísmo”, nome do meu barco.

Que sonho de perdição ondular e confusa, onde vi o Deus dos 12 mares.

Ordenou-me parar e perguntou: - Onde irás parar tu, meu jovem imbecil?

- Apenas paro quando atingir o fim do mar, o infinito, onde paro até lá chegar?

Irás tu sempre mandar-me parar? Por favor, parai de me atrasar, ó Deus do todo e só um mar!

 A sua ira flamejava e reflectia-se nos olhos grandes e negros, que lacrimejavam um verde-escuro, cor de limo.

Com um grito cortante, o gigante fez voar o meu sonho de volta à realidade.

Enfim, sou um louco sonhador…
Mas será que sempre serei aquilo que acredito, inconsciente, ser?
Talvez saberei um dia quando perder tudo o que amei, quando morrer.
Entretanto, continuo a fugir, sem saber o que me persegue de verdade…
- Egoísmo, diz-me qual o tamanho dos teus mastros podres e o que eles
Para ti significam, não me deixes ignorante e sem saber melhor.
Perdoai-me, não tratar mais de ti mas eu também tenho braços e pernas.
 - Meu velho amigo, meu espelho, eu estou tão podre quanto tu, aliás, mais podre ainda estás, pois já o eras assim que me pisastes pela primeira vez, talvez.
Respondeu ele.
Em silêncio, pensei no que disse.
Retirei-me para os meus aposentos, deitei-me, incrédulo comigo…
Admirado e a pensar em sombras do passado. Nada mais do que eu, eu e eu.
Nada para além de mim existe.
Tudo o que mais fosse, sem ser eu: irreal.
O meu pior medo, percebi, que fugia de mim.
Independentemente do que fosse, a fuga, a razão, o mar.
Eu sou tudo aquilo que um universo pode ser, para além,
Do que nada?